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OLD CITIES ENCLOSED BY ANCIENT WALLS

Filipe Marques

30.06 — 17.09

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Sete cidades. Sete cães belicamente sexuados.
A extensão do domínio é medo tornado matéria circundante. Muralhas conceituais e existência ritualizada.
Filipe Marques pinta (literalmente) com carne. Depois elide na brancura extrema a culpa universal assim exorcizada.
Heróis – vítima emergem em tons sanguíneos e memória warholiana. O esplendor realça a heroicidade da vítima que afinal não é: o seu olhar des/martiriza-os.
O olhar viu a vida na evidência de uma história implacável de impunidade organizada.
No documentário Meeting the man: James Baldwin in Paris
o autor irrita-se com a incompreensão dos realizadores da sua radical alteridade. Não quer falar de si. A obra fala por ele.
A Festa acabou! Avisa com a gravidade e urgência que
o definiam. As calçadas de Londres e Paris serão um dia levantadas pelos oprimidos deste mundo.
Não, James: as calçadas continuam lá, alimentadas na ignorância digital.
Impositivas, as pinturas contêm ruas-luz. A luz da razão transformada na banalidade do mal.
Filipe Marques sabe que o sentimento de pertença
se estilhaçará cada vez mais. As vozes multiplicam-se e paradoxalmente circunscrevem-se.
Será a voz de um branco ocidental permitida neste contexto?
É tão indigente a assunção dessa putativa proibição quanto
a premissa de que todo e qualquer artista racializado tenha
de falar das suas origens e problemas histórico-sociais numa arte empenhada. Não pode ser um artista conceptual?
Um purista abstrato? Responda a comunidade com os chavões recorrentes de hoje em dia e embrenhar-nos-emos numa espiral de ininteligibilidade que só perpetuará o status-quo
da opressão hoje em dia eminentemente dissimulada em transações de nanossegundos.
Apesar da centralidade da luz, este é um vociferar sombrio. A fantasmática banda sonora que se espalha pelo espaço expositivo é tão densa e complexa quanto a realidade.
Sim, na verdade Filipe Marques é essencialmente um realista. Um neo@neo-realista.

 

Miguel von Hafe Pérez

 

 

 

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